Bucatini · Massa seca · Lácio

Bucatini all'amatriciana

Guanciale, tomate, pecorino e pimenta: o clássico de Amatrice, sem cebola e sem alho

Bucatini all'amatriciana do jeito de Amatrice: guanciale, tomate pelado, pecorino e pimenta, sem cebola nem alho, e o porquê da polêmica em torno da receita.

Bucatini all'amatriciana servido em tigela branca
Foto ilustrativa: Popo le Chien (CC0)
Preparo
10 min
Cozimento
30 min
Total
40 min
Rendimento
4 porções
Dificuldade
Média
Molho
Molhos de tomate
Principal
Porco e embutidos

A amatriciana leva o nome de Amatrice, cidade dos Apeninos na província de Rieti que pertenceu aos Abruzos até 1927, quando passou para o Lácio. Ali, pastores faziam uma massa com guanciale e pecorino, a gricia, e o tomate entrou na receita quando se popularizou no sul da Itália, a partir do fim do século XVIII. Levada a Roma pelos muitos amatricianos que trabalhavam nas tabernas e hospedarias da cidade, ela virou um dos pilares da cozinha romana, onde é chamada também de matriciana.

A receita gera discussões acaloradas na Itália. Em Amatrice, a prefeitura publicou nos anos 2010 uma especificação oficial do prato com guanciale, pecorino, vinho branco, tomate, azeite, pimenta-do-reino e pimenta vermelha, deixando de fora cebola e alho. Muitas casas romanas, porém, sempre refogaram um pouco de cebola na gordura do guanciale, e livros de cozinha de Roma do século XX registram essa versão. A posição da equipe PenniZone é simples: a receita abaixo segue a tradição de Amatrice, sem cebola, e a versão com cebola aparece nas variações, porque também tem história.

Depois do terremoto que destruiu boa parte de Amatrice em 2016, o prato virou símbolo de solidariedade, com restaurantes do mundo todo doando parte da venda da amatriciana para a reconstrução. O bucatini, um espaguete grosso com um furo no meio, é o par clássico: o molho entra no tubo e cada garfada sai cheia de sabor.

Ingredientes

4 porções

Toque nos itens para marcar o que já separou. As quantidades se ajustam às porções.

Para a massa

Para o molho

Equipamentos

  • Panela grande
  • Frigideira larga ou panela baixa
  • Escumadeira
  • Ralador
  • Pinça de massa

Modo de preparo

  1. Derreta o guanciale

    Coloque o azeite e o guanciale em uma frigideira larga ou panela baixa e leve ao fogo médio-baixo. Deixe a gordura derreter devagar, mexendo de vez em quando, até as tiras ficarem douradas e translúcidas nas bordas, em cerca de 8 minutos.

  2. Junte a pimenta e o vinho

    Acrescente a pimenta calabresa e mexa por 20 segundos. Despeje o vinho branco e deixe evaporar em fogo médio, raspando o fundo, até o cheiro de álcool desaparecer, por 1 a 2 minutos.

  3. Reserve parte do guanciale

    Retire as tiras de guanciale com uma escumadeira e reserve em um prato. Se ficarem no molho durante todo o cozimento, perdem a crocância; elas voltam no final.

  4. Cozinhe o tomate

    Junte o tomate pelado amassado à gordura da frigideira e cozinhe em fogo médio-baixo, mexendo de vez em quando, até o molho engrossar e a gordura começar a aparecer nas bordas, em 12 a 15 minutos. Prove e acerte o sal só no final.

  5. Cozinhe o bucatini

    Enquanto o molho apura, ferva a água, junte o sal e cozinhe o bucatini 1 minuto a menos do que indica a embalagem. O bucatini demora mais que o espaguete, de 10 a 12 minutos. Reserve 1 xícara da água do cozimento.

  6. Una massa, molho e guanciale

    Devolva o guanciale ao molho e transfira o bucatini escorrido para a frigideira. Misture em fogo médio por 1 minuto, acrescentando um pouco da água do cozimento se o molho estiver denso demais.

  7. Finalize com pecorino

    Desligue o fogo, junte o pecorino e uma moída generosa de pimenta-do-reino e misture bem. Sirva logo, com mais pecorino à mesa.

Dicas para acertar

  • Amasse o tomate pelado com as mãos em vez de batê-lo no liquidificador: os pedaços irregulares dão textura e o molho fica menos ácido.
  • Bucatini espirra molho ao ser enrolado; a solução tradicional é servi-lo com o molho bem apurado, nada aguado.
  • Se o tomate estiver muito ácido, cozinhe alguns minutos a mais em vez de acrescentar açúcar.
  • O pecorino entra fora do fogo, para derreter sem formar fios e sem empelotar.
  • Tomates frescos maduros, sem pele e sem sementes, funcionam no verão; use cerca de 600 g e cozinhe um pouco mais.

Substituições possíveis

IngredientePode trocar porO que muda
GuancialePancetta ou bacon em peça pouco defumadoA pancetta é a troca mais fiel; o bacon traz um defumado que a receita não tem.
Tomate pelado italianoTomate pelado nacional ou passataOs pelados nacionais costumam ser mais ácidos; cozinhe 5 minutos a mais.
Pecorino romanoParmesão bem curadoO molho fica mais suave e menos salgado; prove o sal no final.
BucatiniRigatoni ou espaguete grossoAmbos são usados em Roma e em Amatrice.

Erros comuns

  • Deixar o guanciale no molho o tempo todo: ele amolece e perde a graça. Retire depois de dourar e devolva no final.
  • Juntar o pecorino com o fogo aceso: o queijo forma fios e grumos. Misture com o fogo desligado.
  • Usar alho para dar mais sabor: o alho compete com o guanciale e não faz parte da receita de Amatrice.
  • Cozinhar o molho rápido demais em fogo alto: o tomate gruda e queima no fundo. Fogo médio-baixo e paciência.
  • Escorrer o bucatini muito mole: ele vai terminar no molho, então tire-o da água um minuto antes do ponto.

Conservação

O molho pronto, sem a massa, dura 3 dias na geladeira e até 3 meses no congelador. A massa já misturada dura 2 dias na geladeira; reaqueça em frigideira com 2 a 3 colheres (sopa) de água, em fogo médio, até o molho voltar a envolver a massa.

Variações

  • Versão romana com cebola: refogue meia cebola em fatias finas na gordura do guanciale antes do vinho; o molho fica mais adocicado.
  • Amatriciana bianca: sem tomate, que é na prática a gricia, ancestral da receita.
  • Com rigatoni: o formato preferido de muitas trattorias de Roma, que segura bem os pedaços de guanciale.

Perguntas frequentes

Amatriciana leva cebola?

Na especificação de Amatrice, não. Em Roma, muitas famílias e trattorias usam um pouco de cebola, e há receitas antigas que a registram. As duas versões existem; a sem cebola é a da cidade que dá nome ao prato.

Qual a diferença entre amatriciana e gricia?

A gricia é a mesma base de guanciale, pecorino e pimenta, sem tomate. A amatriciana nasceu dela, quando o tomate passou a ser usado na região.

Posso fazer o molho com antecedência?

Pode. Prepare até o passo do tomate, guarde o guanciale crocante separado e, na hora, aqueça o molho, cozinhe a massa e finalize com guanciale e pecorino.

O vinho é obrigatório?

Não é indispensável, mas está na especificação de Amatrice. Ele solta o fundo da frigideira e dá acidez que equilibra a gordura. Se não quiser usar, deglaceie com um pouco de água.

#romana #amatrice #guanciale #tomate #clássica

Massas semelhantes

Escolhidas pelo formato, pelo molho e pelos ingredientes em comum.

Mais com molhos de tomate

Espaguete · massa seca

Espaguete à carbonara

A receita romana de guanciale, gemas e pecorino, cremosa sem uma gota de creme de leite

  • 25 min
  • Média
  • Queijo e ovos

Rigatoni · massa seca

Rigatoni alla gricia

Guanciale crocante, pecorino e pimenta: a carbonara sem ovo e a amatriciana sem tomate

  • 30 min
  • Média
  • Queijo e ovos

Espaguete · massa seca

Espaguete com almôndegas ao sugo

O clássico ítalo-americano do almoço de domingo: almôndegas macias cozidas lentamente no molho de tomate

  • 1 h 40 min
  • Média
  • Molhos de tomate

Para se aprofundar

Formatos · 11 min de leitura

Formatos de massa e o molho certo para cada um

Por que cada formato pede um molho: superfície, espessura, ranhuras e trafilatura em bronze, com tabela de combinações clássicas e os erros mais comuns.